Como o catálogo foi estruturado.
Este catálogo é um projeto editorial: metodologia, critérios e escolhas de escopo declarados. Esta página os explica.
A origem
Quem trabalha com social listening passa boa parte do tempo provando que a disciplina serve pra alguma coisa. A prova existe — mas está espalhada em matérias esparsas, prêmios de mercado e apresentações internas que nunca saem da empresa.
Este catálogo nasce da vontade de reunir essa prova em um lugar só, com critério declarado. Nem toda menção à social listening é um case genuíno, e nem toda publicação equivale a verificação. O catálogo assume esses filtros como decisão editorial — e os expõe caso a caso.
O objetivo
Documentar cases brasileiros em que social listening entrou em decisão de negócio — não como métrica ilustrativa numa apresentação, mas como insumo real que mudou uma trajetória: desenvolvimento de produto, planejamento de campanha, resposta a crise, mapeamento de comunidade.
Serve para profissionais que precisam defender a disciplina internamente, analistas em busca de referências parecidas com o próprio problema, estudantes e pesquisadores da área, e marcas curiosas sobre o que a escuta pode entregar.
A estrutura
Cada case tem sete atributos catalogados: marca, segmento, caso de uso (6 opções atualmente cobertas: desenvolvimento de produto, planejamento de campanha, campanha real-time, identificação de oportunidade, mapeamento de comunidade e múltiplos), data de publicação, fonte jornalística, agência responsável quando houver, e título editorial.
E quatro blocos textuais: o achado (o que a escuta revelou), a decisão (o que a marca fez), o resultado (número declarado quando divulgado — e explicitamente "Não declarado" quando não) e os dados (como a informação foi apurada e monitorada).
A metodologia
Cada case é classificado em dois eixos independentes, e os dois aparecem na página do case.
O primeiro é a procedência: de onde veio a informação. Pode ser matéria publicada em veículo jornalístico, relato de quem trabalhou no case, ou relato acompanhado de material de apoio não público — deck, relatório, captura de painel — que o catálogo verifica e não publica.
O segundo é a evidência do método: o quanto a fonte diz sobre como a escuta foi feita. Quando informa volume, período ou ferramenta, o método está descrito. Quando apenas afirma que houve escuta, está mencionado. E quando não menciona escuta nenhuma, ficando a atribuição por conta do catálogo, está declarado como tal.
Os dois eixos são independentes de propósito. Um relato de quem rodou a operação costuma descrever o método com mais precisão do que uma matéria de portal — e o catálogo precisa conseguir mostrar isso.
Relatos exigem identificação profissional verificável, normalmente um perfil no LinkedIn, e consentimento de citação nominal. O perfil confirma quem é a pessoa e onde ela trabalhou; não valida a narrativa do case, que passa por leitura editorial como qualquer outro envio. Envio anônimo não entra.
O que fica fora
Cases publicados apenas em blogs corporativos das ferramentas de social listening ficam fora do catálogo. O motivo não é qualidade — esses materiais costumam ser tecnicamente bons e mostram a tecnologia por dentro. É conflito de interesse: a ferramenta é parte interessada no case que publica, e o catálogo não tem como separar demonstração de produto de documentação de resultado.
Vale dizer o que o catálogo não promete. Boa parte das matérias sobre social listening no Brasil reproduz material de assessoria com pouca ou nenhuma apuração independente — em alguns casos o mesmo texto aparece em oito veículos diferentes. Publicação não é verificação, e o catálogo não finge o contrário: por isso o campo de evidência declara, caso a caso, o quanto a fonte realmente sustenta.
O autor
Pedro Meirelles, 31, Salvador. Cerca de 10 anos em social listening — passagem pelo IBPAD e hoje na STILINGUE by Blip. Fundou o Sonar, comunidade brasileira de profissionais da disciplina, e conduziu as duas edições da Pesquisa Brasileira de Social Listening (2023 e 2026).